Nada faz menos sentido do que a imposição da autoridade. A morte da razão e da fé está dada, os homens são incapazes de saborear a própria existência. Os sons que escuto na minha janela são imperceptíveis, são quase grotescos, na verdade. É aterrorizante sair na rua e escutar o tumulto e o caos que a ordem trouxe. As vozes expressam o medo, a fala rápida, as gírias, os monossílabos, o esclarecimento pervertido. Já não posso falar em Amor, pois este nasce rápido, e nascendo já formado seu único caminho é a morte, uma morte podre e pútrida, sem sentido. A abstração é um mal que não se pode mais explicar. Todos os homens abstraíram a sua própria vontade, são coagidos a acreditar que são livres. Estrangulam-nos por não crermos na liberdade. Minha razão está pervertida, todo o meu corpo foi imaculado, violado por ideias que queria me negar, que querem me julgar e subjugar a morrer pelo que não sou. Pior. Querem que eu viva, que seja o que não sou, o que não posso jamais ser sem antes morrer.
Foi-me negada a existência fora de mim.
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