Homenagem ao dia do descanso, posto que todo dia é o domingo de nós mesmos.
domingo
os domingos me são opressores.
o tempo escorre sem a possibilidade
de nos agarrarmos a qualquer coisa.
fica essa coisa inerte
esperando pelo amanhã,
pelo quando,
pelo a fazer
pelo descanso.
não sou capaz de entender nada aos domingos.
tudo parece minúsculo frente a semana que virá.
todos os anos passam pelo domingo.
a saudade é o que fica,
é aquilo em que se insiste em lembrar.
é dos pessimistas o domingo,
é de tudo aquilo um saco,
é de tudo lido um asco,
é de tudo feito acaso.
aos domingos
não sou capaz de entender nada,
se nas palavras que falam não creio.
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