domingo, 13 de maio de 2012

Sete horas da manhã

Poema escrito numa daquelas dolorosas aulas às sete da manhã.

Sete horas da manhã (Ricardo José)

Só o sol das sete horas me salva.
Apenas ele me reglorifica,
calmo e sereno, luz quase transparente.
Apenas às sete horas a salvação é possível.

Um mundo que mata às sete horas
não merece as flores que crescem.
Que crescem certamente nos esgotos,
nos corpos dos teus filhos mortos em dor.

O sol reluz na pele das tuas filhas
sem-nome, que se esfregam na sujeira
da noite, afogadas em lama,
de horror e lágrimas.

Às sete horas a sujeira parece crime,
parece crime morrer de desgosto.
Parece vil a luz do sol que nasce,
pois se ela não salva, mostra.

5 comentários:

  1. Ídolo sempre... Espero um dia escrever assim como você... Uma coisa simples como se fosse o desespero. ótimo!

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  2. Eita, haha. Obrigado pelos comentários.
    Thadeu, você escreve se não tão bem, melhor do que eu com certeza.

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  3. Aula do Karam? Só aula do Karam para inspirar algo assim...

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    1. Hahaha, foi sim na aula do Karam. Na verdade foi mais no caminho, dentro do ônibus, mas foi na aula dele que escrevi. Tinha que servir pra alguma coisa, né?

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